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Elysium

Publicado: 18 de outubro de 2013 em Crítica
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Elysium1O ano é 2059. A Terra está devastada. O ar poluído e a escassez de água dividem a população em dois grupos. O primeiro e rico mora em Elisyum, uma estação espacial em órbita. O outro é pobre e continua na Terra, populosa e em decadência.

 

3 estrelas 3,0

 

 

Por Alison Medeiros

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Qual é o problema de ter seu primeiro filme como um filme bem sucedido? Bom, eu diria que é a expectativa para seu segundo filme. Neill Blomkamp, diretor de Elysium, dirigiu o excelente Distrito 9, que aborda temas sociais complexos, de forma intensa, criativa e sem nenhuma sutileza. Entretanto, Elysium não tem, nem de longe, o mesmo apelo social e moral visto em Distrito 9.

Certamente, Neill Blomkamp tem boa intenção em tentar criar um paralelo entre a situação da população do filme com a grande injustiça social que vivemos. E, até podemos tentar comparar a estação espacial Elysium com países de primeiro mundo, onde a população do terceiro mundo tenta, muitas vezes a qualquer custo, entrar para “resolver” seus problemas econômicos e de saúde.

O fato é que Elysium não cumpre bem o papel de provocar o espectador, ao tentar incutir um sentimento de indignação com a situação que está sendo exposta na tela. Talvez isso se deva ao fato de que Elysium não se aprofunda nas questões que tenta discutir. Um exemplo disso é a tentativa do filme em mostrar a diferença de tratamento médico entre os cidadãos de Elysium e os habitantes da Terra. Enquanto a população da Terra sofre com o sistema de saúde precário, os ricos cidadãos de Elysium têm uma máquina milagrosa que cura doenças e, em dado momento, até ressuscita o vilão. O problema é que o filme não discute a extensão dos problemas médicos da Terra e a máquina milagrosa soa inverossímil, mesmo que o filme seja ambientado no futuro. Isso torna o espectador imune ao apelo que é pretendido.

Matt Damon tem um carisma inegável e transfere isso a seu personagem, Max. Já no início da projeção, por meio de flashbacks, descobrimos que Max tem uma “predestinação” ao heroísmo e fatalmente a mártir. Damon cumpre bem o papel de viver um homem comum, que tem problemas com a justiça, mas quer regenerar-se. O que não funciona é o papel de Alice Braga, que interpreta Frey, velha amiga de Max. Claro que Alice Braga é excelente atriz, mas aqui não está bem e a química entre Max e Frey soa forçada. Wagner Moura faz sua estreia hollywoodiana vivendo Spider, uma mistura de hacker e coiote. Ao optar por uma versão um tanto quanto caricata de seu personagem, cheio de caras e bocas, Moura demora a acertar o tom do exagero na interpretação, mas que não chega a comprometer seu trabalho. Quem realmente rouba a cena é Sharlto Copley, que interpreta o vilão desprendido de qualquer moral, Kruger. A entrega com que se dedica a sua interpretação torna seu personagem o mais interessante de todo o filme. Batendo até mesmo a sempre competente Jodie Foster, Delacourt.

O aspecto visual do filme como um todo é concebido de forma cuidadosa e interessante. Foi extremamente acertada a escolha da fotografia em utilizar cores quentes para construir o aspecto visual da grande favela em que se tornou a Los Angeles futurista, passando uma sensação de sufocamento, contrapondo ao tom acinzentado da estação Elysium, que traz a ideia de uma impessoal frieza.

Parece que Neill Bloomkamp tem uma queda para produzir filmes que tenham um apelo social, o que é realmente louvável e, mesmo que Elysium falhe nesse ponto, este novo longa do diretor é um filme interessante visualmente, com cenas de ação orgânicas, capazes de prender o espectador, e com boas atuações.

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Círculo de Fogo

Publicado: 16 de outubro de 2013 em Crítica

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Sinopse

Quando criaturas alienígenas gigantescas saem de uma fenda no fundo do mar, tem início uma batalha pela sobrevivência. A humanidade desenvolve então, robôs gigantes para combatê-las. E quando os Jaegers, nome dado aos robôs gigantes, tornam-se obsoletos, a esperança fica por conta de um robô velho, que é comandado pelo piloto Raleigh Becket e Mako Mori.

3,5 estrelas 3,5

Por Alison Medeiros

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Círculo de Fogo é uma homenagem aos filmes japoneses de monstro, e, ao fim do filme, a primeira palavra que me veio a mente foi: divertido. Talvez isso se deva ao fato de o filme ser uma mistura de Jaspion e Godzila, dois dos seriado/filme que mais vi na infância.

Dirigido pelo talentoso Guillermo del Toro (O Labirinto do Fauno, Hellboy), Círculo de Fogo traz criaturas bem construídas e sofisticadas do ponto de vista visual, o que deu um ar crível a elas, apesar de fantásticas. Aliás, o aspecto visual do filme como um todo é de encher os olhos. Os Kaijus, que do japonês pode-se traduzir como monstros gigantes, são feitos a partir de formas conhecidas de tubarões e dinossauros; os Jaegers mostram certo desgaste em sua armadura e movimentam-se de forma lenta e pesada, como imagino que um robô desse tamanho seria, dando realismo aos gigantes.

De uma forma geral, del Toro dirige o filme com atenção aos detalhes de seus cenários grandiosos e nem tanto à construção de personagens. É impressionante a aparência das instalações onde os Jaegers são guardados e da construção digital das cidades, como Tokio, populosa e iluminada, onde se passa a maior parte da ação. O diretor até cria uma identificação do espectador com o protagonista ao colocá-lo em uma situação de herói e, em seguida, em uma situação de sofrimento com a perda do irmão, mas o espectador interessa-se mais pelas criaturas fantásticas e os gigantes robôs do que propriamente por seus pilotos, o que de certa forma colabora para uma atuação menos interessante destes.

Charlie Hunnam (Filhos da Esperança) interpreta o protagonista Raleigh Becket de forma satisfatória. Há de se ressaltar a atuação de Rinko Kikuchi (Babel), que cria uma personagem forte e intensa como a heroína Mako Mori. Ron Perlman, que já havia trabalhado com o diretor anteriormente, mais uma vez tem um trabalho excepcional e protagoniza momentos engraçadíssimos durante a projeção.

Com direção de som e arte impecáveis, no fim, o saldo é positivo, mesmo com obviedade grande, que qualquer um antecipara sem problemas, o filme diverte e empolga pelas suas cenas de grandiosidades técnicas e forma lúdica.

Star Wars

Publicado: 7 de julho de 2013 em Crítica, Star Wars

Por Alison Medeiros

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Sempre que comento que gosto de Star Wars alguém pergunta: “porque você gosta?”

E quase sempre tento elaborar uma resposta a altura do meu interesse por Star Wars, a fim de “converter” a quem perguntou a também gostar de Star Wars.

Qualquer filme para ser bom tem que transcender seu tempo. Ao assistir a um filme e divertir-se com ele, há uma tendência a achá-lo bom, e tudo bem com isso, entretanto, um filme só se torna uma lenda quando deixa legados para a próxima geração. Star Wars, da forma que vejo, cumpre bem esse papel, já que em sua época trouxe inovações, não só em termos tecnológicos, mas em seus personagens controversos e linguagem até então pouco ou nada utilizadas.

Ao trazer um universo totalmente diferente do habitual, Star Wars cria, com muita habilidade, novas possibilidades narrativas. As aventuras criadas, junto aos efeitos especiais inovadores para a época, tornam o espectador atônito com o que está vendo. Um grande exemplo disso é a forma com que George Lucas coloca o equilíbrio entre o bem e o mal. Até então, a aparição do bem personificava-se em um deus e, consequentemente, o mal no diabo, monstro ou outra coisa que fosse horrível suficiente para causar arrepios em seus telespectadores.

Star Wars, por sua vez, traz uma nova proposta para esse tema: A Força. O bem e o mal partem da mesma fonte. Se o conceito parece simples, a execução disso não é. Ao vir da mesma fonte estabelece-se uma linha tênue entre o lado bom, em que os Jedis atuam e fazem o bem, e o lado negro, em que os Stihs conseguem extrair todo o poder que precisam para subjugar o universo.

Há aqui no mínimo uma curiosa semelhança com a condição humana, levando em consideração que todos nós não somos totalmente bons nem totalmente ruins. Que constantemente estamos lutando para fazer o certo e fugindo daquilo que julgamos errado em uma luta eterna para não ultrapassarmos os frágeis limites entre o lado bom e o lado negro. Mas a grande força de Star Wars está em seus personagens.

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Darth Vader é um dos vilões mais amados de todos os tempos. Eternizou suas frases e atitudes. Tornou-se um Jedi e praticou o bem durante algum tempo;  mais tarde, movido pelo sentimento de perda e manipulado pelo malévolo Darth Sidious, passa para o lado negro da força tornando-se um Sith, mas “volta” a ser um Jedi por amor a seu filho.

Luke Skywalker é inicialmente um caipira chato e sem graça que torna-se Jedi apenas pelo sangue que corre em suas veias e, apenas no episódio VI, transforma-se em peça fundamental para a trama que envolve seu pai e mesmo assim somos capazes de nos identificar com seus dilemas e conflitos em relação a sua família.

Léia, princesa forte e determinada que encara as situações sem temor. Sem dúvida uma mulher a frente de seu tempo. Se é que podemos dizer “a frente do seu tempo” já que, aparentemente, Star Wars passa-se no futuro ou pelo menos em uma galáxia muito, muito distante.

Han Solo, capitão da emblemática nave Millenium Falcon, sujeito intempestivo, de temperamento forte, rebelde, mas de bom coração.

E o que dizer de Obi-Wan Kenobi, C-3PO, R2-D2, Jango Fett e muitos outros?

Enfim, falar de Star Wars é trazer a tona minhas lembranças de criança quando este mexia com minha imaginação e proporcionava tardes de encantamento e sonhos. Como amante do cinema tenho que admitir que como produção cinematográfica há outros grandes filmes que sempre estarão à frente de Star Wars em importância e em qualidade, mas não consigo deixar de enxergar essa bela saga com o carinho que penso que ela mereça.

 Que a Força esteja com vocês.